sábado, 3 de maio de 2014

Sobre futebol, MMA e ignorância



Sobre futebol, MMA e ignorância

Costumo ouvir das pessoas em geral que jogador de futebol não tem um vocabulário rico, que lhe falta desenvoltura para falar em público e até que tem pouca inteligência – ‘’limitados’’. Com a popularização do MMA, ouvi algo semelhante sobre os lutadores enquanto eu andava pela rua. Quem pensa isso é o verdadeiro limitado(deixa eu me sentar direito que estou um tanto com raiva, vontade de dar risada ou seilá o quê).

Não há como generalizar esse tipo de conceito sem uma pesquisa científica. Até mesmo se ela fosse feita, seria limitada, pois são vários países e esportistas pelo mundo, com línguas e costumes diferentes, o que dificultaria muito um estudo representativo sobre o assunto. Além disso, a opinião em questão é formulada com base numa pequena observação de poucos esportistas que falaram em público e que alguém teve a oportunidade de notar. Ou seja, a própria capacidade de percepção e julgamento, nesse caso, é limitada, permitindo concluir que quem é limitado é o próprio enunciador( espero que leitor meu não seja assim...você não é, ou é! ?).

Uma outra questão a ser pensada é que cada pessoa tem prioridades e objetivos diferentes. Tudo bem que há alguns esportistas que não se mostram como cultos, mas é burrice dizer que são poucos inteligentes. A prioridade deles é ter um bom desenvolvimento motor, melhorar a percepção espacial e responder aos estímulos externos da maneira mais eficiente possível ; e não estudar  filosofia, gramática e outros assuntos. Isso nos mostra que desenvolvem um tipo específico de inteligência – o motor, aliado a estratégias de jogo -  e buscam um interesse pessoal, assim como qualquer um de nós que não é esportista – escolhemos uma profissão específica e gostamos de estudar mais determinado tema  em relação aos demais. Exemplificando : sei muito pouco sobre cálculos porque os uso raramente e de maneira muito simplória. Entretanto, tenho bom desenvolvimento motor porque lido com e me interesso por instrumentos musicais.

Lutadores de MMA e futebolistas, vocês não precisam dar uns ‘’jabs’’ e um chute na bunda redonda de um pensamento desses. Afinal, vocês buscam se superar dia a dia no esporte em que estão, fazer algo surpreendente. E se importar com um pensamento limitado desses, isso sim, seria algo limitado.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Como os homens choram

Como choram os homens
Homem não chora!
Mas urra ao ter a perna quebrada
Ao rápido golpe da luta feroz

Homem não chora.
Maixx  catarataisx isxcorrem  àisx quedaisx altaisx
Num volume tão grande que não há vaso, nem rim que aguente.
Por que não morre? Porque é homem.

Homem não chora?!

Chora, mas a mãe não vê.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Por nada


O filho chega no quarto do pais, que já roncavam há tempos. Senta-se na cama, sem acender a luz.  A mãe roncava tanto que qualquer despertador faria silêncio no momento programado de alarme. O filho acorda o pai. Pai, quero me matar! O pai, curiosamente, não se assustou, apenas se sentou ao lado do filho. Pai, tudo que eu faço dá errado, sei fazer nada direito. O pai pergunta porque o filho pensava daquela maneira. Silêncio. O filho não olhava para a cara do pai. Parecia sentir vergonha, desprezo por si. É, é, é, é... fiz nada de errado não, só as coisas que dão errado, não sei definir bem. Só quero acabar logo com isso. O pai coçou uma careca feia e sardenta, mas cheia de experiência. Tá me dizendo que fez nada de ilegal e imoral? O filho deu risada e concordou. Se eu não tenho serventia e até atrapalho, não faz sentido eu continuar a viver. O pai olha bem pro filho. Então porque você já não se suicidou? O filho se assusta. Como assim? Estava sendo encorajado a se suicidar. Ah, pai, tenho medo, mas quero me suicidar, não aguento mais? O pai, curioso, pergunta o quê o filho não mais aguentava. Ah, não sei. O pai deu um risinho de canto de boca. Filho, se você não sabe o motivo que o faz pensar em morrer, então você morreria por nada? E você não quer justamente fazer algo direito, servir pra alguma coisa? O filho fica confuso. Pensa. É, pai, eu queria morrer por nada mesmo  - falou por falar, pra fazer afronta. Cabeça mais confusa. Então sua morte terá nenhuma serventia e isso seria mais uma prova de que você é um ser humano qualquer nesse mundo, que morreu e fez nenhuma diferença em vida. Cabeça fervendo. É, pai, mas pelo menos eu ia me aliviar de todo esse sofrimento. O pai ri. Filho, você iria sofrer mais ainda. Primeiro que ninguém te daria uma injeção letal pra você não sentir dor durante a morte, então você teria que partir para métodos agressivos. Você já se chora todo com um cortezinho no dedo. E, embora você conseguisse um método pra não sentir dor, você sofreria do mesmo jeito, porque perderia os seus sentidos, a percepção de estar nesse mundo. É, pai, mas todo mundo fala que a outra vida é muito boa, sem sofrimento, sem nada. O pai bota a mão no na barba, um tanto branca. Se a outra vida fosse tão boa, todo ser humano se suicidaria. E conheço uma ``pancada`` de gente que acredita na outra vida e não se mata. Ma,ma,ma,ma,mas pai, o que eu faço então? Filho, você só consegue fazer algo se estiver vivo, não? O filho concorda. Então a morte é o fim. Vai dormir, amanhã é outro dia. O filho, agora, olha para o pai. Dá-lhe um abraço. Vai para o seu quarto. O pai coça a barriga, dá uma risada silenciosa, volta a roncar em poucos minutos.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Dia sim, dia não
‘’Fala, amor, tudo bem? To te esperando na praia do dendê já, de roupa de corrida. Beijo’’. Um avião das 9 que ia lonnnge, lonnnnnnge(não vou falar pra onde ia. Ah, não sei? Claro que sei)passava perto da lua. A mulher chega, dando um beijo no seu marido. Ambos começam a correr. Nada de ar puro. Eles estavam correndo em uma natureza criada pelo próprio homem –latas de cerveja, porta de geladeira, capinha de fita de vídeo-game e, claro, muita merda e mijo adquiriam vida naquele ambiente. Rastejavam-se até a orla, para onde exalavam seus fétidos, pútridos e doentes odores. Mas eles lá corriam, como se andassem com aquelas máscaras que se usam em caso de risco biológico, meio que Resident Evil.
Rô, rá, rô, rá, rô, rá, ah! Sentaram-se em um banco de pedra, em frente a um restaurante todo pichado. A vista era linda. De um lado, montanhas, serras e barcos ancorados. De outro, a favela, que, de longe, parecia não ser aquele horror todo do qual se ouve falar. ‘’Amor, fiquei sabendo hoje que o Lucas se separou da Stéfanie. Ele veio me falar que era pra eu também virar solteiro e o acompanhar, junto com outro amigo separado, o Caju’’, riu o homem. A mulher riu de volta, dizendo que ia lhe dar umas bordoadas na cabeça se ele fizesse isso. O que é engraçado é que ambos se separavam dia sim, dia não.  Ambos sabiam que cada um possuía casos extra-conjugais( eu disse CASOS, plural, não é um amantezinho ou uma mulher da noite ). Um sexo aqui, outro acolá.
Por que não fizeram como os amigos? Esquecer a relação ruim, começar tudo novamente? Mas eles começavam tudo novamente, dia sim, dia não. Não havia nada de ruim pra esquecer. Isso porque a traição, de uma maneira toda torta e avessa, fazia com que aquele homem e mulher se amassem. A carne gosta de sentir novos suores, sangues e sexos, de uma maneira meio que narcótica. E o corpo deles buscava isso. Mas aquele desejo passava em poucos segundos depois do bem bom. Outra vez era enjoativo, como doce bonito que se come um pouquinho e depois não se quer mais. Assim, ambos se lembravam de que tinham um prazer bonito, daquele de bagunçar o cabelo do outro, rir da cara do outro, ficar velho ao lado do outro. Era oscilante e nem tão alto quanto ao que achavam nos homens e mulheres pela rua, porém, era sobremesa de vovó.

Por que o homem chamou a mulher até a praia do Dendê, tendo tanto lugar paradisíaco e mais excitante para frequentar¿ Pois foram correndo lá que se conheceram. Correr lá, dia sim, dia não, era a renovação daquele amor. Parecia até que aquele ambiente foi construído em função deles – era um amor sujo, mas eles só enxergavam a vista. ‘’ Ah, olha lá o barco chegando!’’, disse o homem, apontando. Ela, desesperada, olhou para onde ele apontava. Um beijo na bochecha foi roubado. Melhor, o homem só pegou o que já era dele, denovo. Deram as mãos. Foram para casa.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Sou um só

Tentando ser poeta pela madrugada...

Sou um só

Sou um só,
Mas uma empreiteira
Que constrói, destrói, reconstrói,
Nunca terminando sua obra
Um lego humano, um presente sem ‘’carpe diem’’

Sou um só
Mas não só, mesmo andando comigo mesmo
Cada parte vivendo outra parte e a si de forma completa
Contrariando a lei da Boca do Inferno.
Afinal, sendo um tudo em um, sou congresso sendo povo.

JP Bortot

Una ragazza in due - cover feito por mim. Em breve, músicas próprias. Copie e cole o link em seu navegador.

http://www.youtube.com/watch?v=0adSB2TZOeY

Partiu funk e ``nejão`` ?

Vou falar do funk, o das ``novinhaisxx`` e dos ``leisxxk``. Do ``coração em pedaços`` do sertanejo também. É comum dizerem que canções desses estilos musicais não prestam, pois possuem letras com desvios de gramática ; assuntos fúteis como carros(olha o camaro amarelo passando na minha rua agora), festas, bebidas, azaração. Já até ouvi professor de teoria musical dizer que funk não é música, mas apenas ritmo, uma vez que as batidas marcam apenas o tempo, mas não atingem frequências que coincidem com as notas musicais.
Calma, não venham me bater, eu vou defender esses gêneros musicais de alguma forma, prometo! É só continuar a ler o texto e digo de antemão que não concordo com esse professor. Depois dessa abordagem do funk e sertanejo,  então porque grande parte das pessoas vão a choppadas, boates e bares e não ficam com a mão no queixo, fumando um charuto e ouvindo Bach e Chopin, mas sim o MC seilá o quê e a dupla tanãnã e tanã? Bem, se os estilos musicais em questão são ouvidos nesses lugares e todo mundo ``sai do chão``, significa que eles tem, sim o seu valor.
 O que estou dizendo é que cada música tem um tipo de ocasião adequada para ser ouvida. Claro que, em casa, não ouço funk, apesar de que tem gente que faria o contrário. Contudo, se eu vou em uma festa, eu gostaria de que o tocassem, assim como uma pancada de gente.  E Se tocarem um ``sertanejão`` ? Já é motivo pro ``gatinho`` se aproximar da `` gatinha ``. Ou seja, tem muita gente que é contraditória e hipócrita ao falar mal do funk e do sertanejo, que são ritmos dançantes e contagiantes apesar de, musicalmente, serem pouco trabalhados. E não ouvimos música justamente para nos deixar mais alegres, para o ambiente não ficar tão pesado e tedioso? Bem, se o funk e o sertanejo são capazes de exercer esse papel em nós durante a santa balada de cada fim de semana, eles são, sim, boa música  ; e o funk é o contrário do que aquele professor disse.

                                                                                                                                            JP Bortot